<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037</id><updated>2011-12-07T10:36:39.952-08:00</updated><title type='text'>INCITO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-5732135267266697722</id><published>2010-03-17T11:04:00.000-07:00</published><updated>2010-03-17T11:12:53.385-07:00</updated><title type='text'>Incito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S6EajRplmKI/AAAAAAAAABw/Ridd7V4Klfs/s1600-h/Incito_blog.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 286px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S6EajRplmKI/AAAAAAAAABw/Ridd7V4Klfs/s400/Incito_blog.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449666217430587554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Incito&lt;/span&gt; [instigar, estimular, excitar, provocar, desafiar, impelir a, etc., do verbo incitar - do Lat. Incitare], dá o título a uma proposta artística que aborda a conjuntura em que se desenvolve a actividade cultural — temática recorrente na História da Arte —, especificamente no Concelho de Faro, aqui tomado como privilegiado campo de investigação e intervenção.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enquanto work in progress, Incito está aberto à participação dos que se preocupam com o tema — “gente de cultura” ou simples cidadãos, que queiram contribuir com a sua crítica, documentos, obras ou qualquer outro material considerado pertinente. Trata-se de um projecto que (dada a complexidade e riqueza do tema) assume a forma de campanha multimédia, usando todas as possibilidades à disposição da criação plástica contemporânea, pensada no sentido de promover a discussão pública sobre os constrangimentos que afectam a produção cultural farense e algarvia, apontando problemas e defendendo activamente vias apropriadas à sua solução. Neste âmbito, serão apresentadas obras que propõem à discussão pública as diversas facetas desta ‘problemática’; outras, de carácter documental, são constituídas por todo o material previamente recolhido e pelo que tenha surgido como consequência das acções desenvolvidas.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Esta exposição, um projecto &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Art&lt;/span&gt;adentro, com a participação de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ana André &lt;/span&gt;(Faro, 1969), &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manuel Rodrigues&lt;/span&gt; (Lisboa, 1959), &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Teresa Ramos&lt;/span&gt; (Tavira, 1953) e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vasco Vidigal&lt;/span&gt; (Lisboa, 1958), vem agora mostrar publicamente, algum do material criado/recolhido/produzido desde o início de Incito (Maio de 2008), sendo certo que o assunto se encontra perto de não estar nada esgotado.&lt;/span&gt;   &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artadentro,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Vasco Vidigal &amp;amp; restantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-5732135267266697722?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/5732135267266697722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/incito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/5732135267266697722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/5732135267266697722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/incito.html' title='Incito'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S6EajRplmKI/AAAAAAAAABw/Ridd7V4Klfs/s72-c/Incito_blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-414594830828802115</id><published>2010-03-16T14:02:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T14:04:17.732-07:00</updated><title type='text'>Faro não é Faro!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_yRMvdGiI/AAAAAAAAABo/eIG-bqiR9fY/s1600-h/faronaoefaro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 306px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_yRMvdGiI/AAAAAAAAABo/eIG-bqiR9fY/s400/faronaoefaro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449340451433552418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tinha          a&lt;strong&gt; Art&lt;/strong&gt;adentro pensado suspender o seu projecto artístico&lt;em&gt;&lt;strong&gt;          Incito&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; durante a época eleitoral — por achar          que, enquanto agentes culturais independentes (embora a actividade artística          tenha sempre, nalgum grau, uma certa dimensão política),          marcaríamos assim de equidistância a nossa relação          com a disputa partidária —, quando a ofensiva demagógica          do nosso Apolinário, ao instrumentalizar a cultura e seus agentes,          usurpando as suas realizações enquanto os discrimina com          fins eleitoralistas, vem legitimar esta nova peça como acrescento          ao acervo &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Incito&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Segundo o autarca, o cabal cumprimento das suas anteriores          promessas foi inviabilizado pela ‘desarrumação’          com que na autarquia deparou ao entrar a funções. Portanto,          este político, horrorizado por tamanha desigiene, deu mostras de          coragem, só comparável à de Hércules diante          os estábulos do rei Áugias, tendo passado todo um mandato          de touca e avental, a arrastar mobiliário, varreu e encerou, a          desinfectar a suja herança. Claro está, na azáfama,          para lá da costumeira satisfação de clientelas, os          compromissos assumidos com os farenses, nomeadamente a propagandeada aposta          cultural, nunca os honrou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com efeito, essa suposta ‘aposta’, parece          ter ficado resolvida com o convite ao pintor Manuel Baptista para reassumir          a programação da Galeria Municipal Trem, motivada não          por genuíno interesse na Arte Contemporânea e seus agentes,          mas pelo aproveitamento do prestígio do carismático artista          farense — certamente crendo ter obtido junto da massa eleitoral,          o álibi perfeito para as sequentes tropelias em prejuízo          do real desenvolvimento cultural e artístico do Concelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       De facto, em matéria de cultura, além da traição          a Faro e às suas instituições (pelo faltoso apoio          prometido; pela conivência com a desconsideração &lt;em&gt;All&lt;/em&gt;garvia          e com a negligência do Ministério da Cultura; pelo sorvedouro          de recursos em que se tornou o Teatro das Figuras; pela decadência          do Teatro Lethes; pelas perturbações na Orquestra do Algarve;          pelas feiras e animações, ou pelos tristes casos de ‘arte          pública’, assunto a pedir análise própria),          só recordamos dois marcos, ambos relacionados com o património          monumental. Um, na tão divulgada reabilitação do          Palácio de Estói, várias vezes re-inaugurado, que          acabou entregue às Pousadas de Portugal, fazendo daquela peça          única do nosso património mais outro hotel reservado a endinheirados          — inviabilizando a sua fruição à esmagadora          maioria dos munícipes! —, num negócio onde o que pertence          a Faro é ‘emprestado’ a uma empresa (privada a 49%),          para que renda por muitos e bons anos; o segundo caso marcante, esteve          na complacência com que o edil assistiu, mesmo defronte da sua janela          camarária, ao &lt;em&gt;alindamento&lt;/em&gt; exterior da Sé Catedral          de Faro, o mais precioso monumento histórico farense — trabalho          feito por serventes, sem projecto, à revelia de qualquer tipo de          autorização/fiscalização, da C.M.F. ou do          Ministério da Cultura/IPPAR-Direcção Regional de          Faro. &lt;/span&gt;         &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Claro está, para o empreendedor Apolinário,          a cultura apenas interessa enquanto pretexto fácil e prático,          para desvio dos dinheiros municipais, nas barbas dos farenses, em proveito          de interesses político-pessoais. É o que se passa na atribuição          de apoios financeiros aos &lt;em&gt;folks&lt;/em&gt; ‘bem comportados’,          enquanto os agentes culturais que se manifestam publicamente duma forma          crítica fundamentada, vêm o prometido negado na tentativa          de abafar a sua existência — mesquinhez exuberante que revela          grande falta de cultura democrática, contradizendo descaradamente          o alardeado amor pela liberdade. Mas também o pretexto cultural          foi usado em benefício de negócios privados: como se verificou          com o &lt;em&gt;Second Life&lt;/em&gt;; ou como se poderá vir a verificar,          caso haja oportunidade, na ‘operação cultural’          de 20.000.000,00 de euros municipais, com que promete acudir ao ruinoso          negócio privado do Centro Comercial Atrium; pasmosa promessa eleitoral          que nos garante que a câmara, já transvestida em produtora/promotora          ‘empresa’ de feiras e romarias, irá investir os nossos          dinheiros no mercado imobiliário e na exploração          de centros comerciais!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não obstante, se a mediocridade da acção          política deste homem se restringisse ao sector cultural —          embora já suficiente e flagrante sintoma da falta de qualidade          imprescindível à presidência da capital algarvia —,          menos mal iria Faro. Mas, o caso é que o seu higiénico executivo          afectou a generalidade dos sectores, acentuando o retrocesso do Concelho.          Aliás, a triste realidade é reconhecida pelo edil, a avaliar          pela desorientação que se lê no recurso a todos os          truques, desesperado por, mais uma vez, enganar uns eleitores: ele é          o&lt;em&gt; look &lt;/em&gt;Obama — anulação de bigode, bronze          em mangas de camisa, dentito evidente e pose a três quartos de braço          cruzado; ele é o discurso estridente e agressivo no debate —          quando não há obra nem ideias, ataque-se o opositor sem          o deixar falar; são os cartazes prometendo obras cujo valor total          daria para comprar meio Algarve e invadir o restante; ou, por exemplo,          os enigmáticos &lt;em&gt;slogans&lt;/em&gt;, verdadeiros &lt;em&gt;case study&lt;/em&gt;          de vago vácuo mental e esperteza caloira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A este respeito, realçamos o insipidíssimo          “Fazemos” que, associado a imagens de maquetas, não          é ‘fizemos’ nem ‘faremos’, mas uma espécie          de tóxica nuvem equívoca com que se pretende &lt;em&gt;apolinar&lt;/em&gt;          o farense mais descuidado. Contudo, para terminar com a demonstração          definitiva da razoabilidade destas apreciações, reservámos          o espectacular, em redundante, “Faro é Faro”, orgulhosamente          subscrito pelo edílico Apolinário — e merecedor da          classe dos mais deselevados lemas eleitorais de sempre. De semelhante          frase poder-se-ia pensar ser veículo de uma hipnotética          mensagem subliminar, porém não se vê qual, a menos          que só para iniciados. Pode tratar-se de massajar o orgulho farense,          levando votante a lamentar comovido, quiçá, o candidato          olhanense; ou, então, esticando a hermenêutica, talvez apenas          pregue a desutópica convicção de tudo ter sido feito          e/ou não haver nada a fazer pela capital do Algarve. Entretanto,          o eleitor perplexo na matuta, tentando arrombar tal enigma, ouve atónito          o candidato Apolinário a fasciná-lo dentro de um ecrã          televisivo com a singela chave na boca: “&lt;em&gt;Faro é Faro,          porque não é Tavira, nem Olhão, nem Loulé&lt;/em&gt;...”          — e, não fora o corte providencial, logo com salto para outro          tema, na sua língua designaria, uma a uma, qualquer cidade que          não fosse Faro (pelo menos, ainda!). Enfim, ao amainar a gargalhada          fatal, o farense aliviado e esclarecido, maxilares dolorosos e em caimbras          estomacais, vislumbra que a reeleição deste auto-autarca          lhe garante anedota à grande, mas não o futuro que deseja          para Faro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De facto, se tudo isto traduz um sonho que o candidato          possa querer ver realizado, então será melhor avisá-lo          de que, para nós, este Faro não é Faro. (*)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vasco Vidigal&lt;br /&gt;       &amp;amp; &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro Associação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(*) A &lt;/span&gt;&lt;strong style="font-family: arial;"&gt;Art&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;adentro, associação          cultural independente, s.f.l., que em 6 anos de intensa e contínua          actividade nunca beneficiou de um cêntimo de financiamento da autarquia          farense, redige este texto com o objectivo de suscitar e estimular a reflexão          àqueles que pelo seu tema se possam interessar. Quanto à          evolução do ‘fenómeno’ farense, ele sublinha          a pertinência do nosso projecto artístico&lt;/span&gt;&lt;em style="font-family: arial;"&gt; &lt;strong&gt;Incito&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;          — que tem a C. M. F. e seus protagonistas como espécimes          preciosíssimos sob rigorosa observação laboratorial.          Qualquer informação que permita corrigir factos referidos,          dar deles nova interpretação ou acrescentar outros que eventualmente          se contraponham, é &lt;/span&gt;&lt;em style="font-family: arial;"&gt;sempre&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; bem vinda. Este projecto artístico          continuará, conforme inicialmente previsto, seja qual for o resultado          eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-414594830828802115?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/414594830828802115/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/faro-nao-e-faro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/414594830828802115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/414594830828802115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/faro-nao-e-faro.html' title='Faro não é Faro!'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_yRMvdGiI/AAAAAAAAABo/eIG-bqiR9fY/s72-c/faronaoefaro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-2463289124224481047</id><published>2010-03-16T13:55:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T14:01:26.578-07:00</updated><title type='text'>O Saco Azul da Cooltura (ou o moustache eliminado)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_w3oPJu6I/AAAAAAAAABg/pSCsQYKZ9cg/s1600-h/cool.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 262px; height: 350px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_w3oPJu6I/AAAAAAAAABg/pSCsQYKZ9cg/s400/cool.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449338912626031522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Saco Azul&lt;/em&gt; começa por se referir às          importâncias provenientes de imprevistas receitas casuais, sem classificação          oficial, de onde saíam verbas para despesas suplementares, em certos          serviços públicos que, deste modo, ultrapassavam a rigidez          do contabilístico sistema estatal. A generalização          desta prática — e o aumento das fontes menos imprevistas,          também inqualificáveis —, bem como o mau uso, transvio          e sumiço de valores, fizeram dela crime e carregaram o belo termo          aveludado com a sua negativa conotação actual. Porém,          o dito Saco, fictício para os que lhe negam a existência,          nunca perdeu o sentido mágico de entidade, lugar ou função,          em oportuna metamorfose, que bafeja quem o engendra e detém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No interim, a vigilância democrática, que          exige rigor e transparência na aplicação de fundos          públicos, incompatibilizou-se indirectamente (por via da obscura          origem dos paralelos financiamentos) com o custo exorbitante das campanhas          eleitorais. Perante isto, e posto de lado o recurso ao antigo Saco —          assim arrumando com este suspeito incómodo assunto —, os          políticos viram-se obrigados a um esforço cruel de criatividade.          E a mutação teve lugar. Só tal explica que, após          por certo pouca reflexão, aos edis logo tenha ocorrido dar novo          fim aos fundos, estatais e autárquicos, que à cultura se          destinavam. Por que não? Afinal, o que é que não          é cultura?! Já sinónimo genérico de entidade          surreal, por onde milagrosas verbas brotariam em silêncio para se          escoarem secretamente como benesses nos que o controlam, o velho Aladino,          que antes inspirara mentes avançadas, assume então, integralmente,          nova roupagem, e de níveo &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt;arinho. Agora, a confusão          quanto ao destino (ou fim) de tais recursos, não só não          preocupa os que destes mais próximos estão como é          por eles, como tesouro, mantida e acarinhada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com efeito, das frouxas verbas que se diz serem para          o fomento da cultura, no país ou na região, apenas uma ínfima          parte é entregue a mãos devidas — de resto, a grande          maquia sustenta instituições públicas e remunera          a corte de “quadros” politicamente nomeados; estes, já          sintoma do culto do sacro Saco que diligentemente os alimenta, por sua          vez, administram-na garantindo o mínimo possível de produção          artística, zelando de forma a que os parcos frutos, preferencialmente          neutras metáforas redundantes, sejam creditados ao mais resplandecente          astro político de que dependem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Basta atentar na profusão de eventos promovidos          pelos detentores de cargos públicos: são homenagens póstumas          e/ou reconhecimentos de certa carreira; é a atribuição          de prémios a ilustres que aceitam; são as comitivas oficiais,          incluindo mostras artísticas e beberetes; inaugurações          do regime, normalmente edifícios lindos de que se ignora o destino          a dar; é o Allgarve do &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt;turismo; os comícios          apadrinhados pelo top dos &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, etc., tudo ‘cultura’.          Como outrora com os pintores, que retratam reis, pintam estandartes e          decoram festas, não há quem não possa&lt;em&gt; a priori          &lt;/em&gt;entrar neste Saco actualizado, quem não saia pronto-a-usar          para que rebrilhe o poder-que-está.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;      Cá por Faro, tudo isto é bem sabido do nosso augusto Apolinário,          não admira, portanto, que não exista plano de desenvolvimento          cultural do Concelho (!), nem critérios públicos e transparentes          para a atribuição dos recursos municipais à cultura;          tão-pouco espanta a sua recusa em ouvir os activos agentes culturais          da cidade — e estão aqui as condições necessárias          para que o renovado Saco se continue a poder enfiar. O princípio          é simples e eficiente: do orçamento para a cultura, descontado          o encargo obrigatório com instituições camarárias,          sobrará um quanto que, em &lt;em&gt;ratio&lt;/em&gt;&lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; ‘acções’.        &lt;/span&gt; desconhecido, há-de          servir para fundações, autores ou associações          e, obviamente, de garantia às mais diversas &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como qualquer outra, esta parcela fica à discrição          do autarca que a atribui, ritualmente, de acordo apenas com interesses          altruístas, estritamente eleitorais. E eis aí que se manifesta          a &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt;tura mais verdadeira; festinhas com vedeta até milhares          de muitos euros; certames e respectiva animação; a vénia          ao Sr. Ministro dos Allgarves; o &lt;em&gt;Second Life&lt;/em&gt;; bandeirolas e &lt;em&gt;outdoors&lt;/em&gt;;          apoios a &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt;ectividades recreativas, excursionisto-desportistas          — enfim, onde haja potenciais votos a angariar. Deste modo, em plena          crise, não apenas atira para longe de Faro o dinheiro que se resguardou          de atribuir, como deveria, ao desenvolvimento da actividade cultural e          artística do Concelho, como, para mais, em consequência de          tal desmando, se vêem instituições para isso vocacionadas          impedidas de aceder a fundos, nacionais ou internacionais, com que contribuiriam          para a economia farense.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mesmerizado na obsessão de entorpecer o discernimento          do comum farense com tanto e tão singular entretém, nada          parece perturbar o &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; autarca que, airosamente, assim vai sabotando          qualquer actividade cultural que acorde o espírito crítico          dos munícipes — não vão estes reparar em seus          exemplos elementares de vulgar mediocridade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acontece que, por não parar com a auto-promoção,          após quatro voltas totais ao sol, o edil foi-se tornando presença          familiar; com seu porte mediano, fato de escuro, tez morena e, relevo          grave, o apêndice capilar orlando um lábio superior, este          político cinzentão, tipo velha-guarda, de oratória          oca banal, denotando falhas ao imaginário, foi-se revelando aos          eleitores. Ora, constatando a mísera imagem que projectou —          apesar de tanto ter aberto cordões para artimanhas populares —,          e nada tendo de palpável para mostrar a cidadãos, há          poucos dias, decerto iluminado por conselho sapiente, eleição          já sob as vistas, decidiu-se pelo sumo sacrifício: imolou          o próprio &lt;em&gt;moustache&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O bigode, despromovido já dos cânones da          moda contemporânea, ainda seria coisa para conferir fiabilidade          à patriarca, algo digno, municipal; rapado ficou, quiçá,          com ar um pouco mais de &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt;, porém também o&lt;em&gt;          upgrade&lt;/em&gt; na figura fornece prova definitiva da sua fibra vertebral.          Ao menos, pelo que mostra estar disposto a empenhar, saberemos todos com          o que se conta. (*)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vasco Vidigal&lt;br /&gt;      &amp;amp; &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro Associação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;              &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="master2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) Este texto destina-se a suscitar e a estimular a          reflexão sobre o tema àqueles que por ele se possam interessar.          Não pretende ser exaustivo na apreciação dos efeitos          nefastos das já tradicionais políticas de "apoio"          à cultura e/ou dos já tradicionais políticos que          se apoiam na &lt;em&gt;cooltura&lt;/em&gt;, no Algarve e em Portugal. Quanto à          evolução do ‘fenómeno’ farense referido,          ele sublinha a pertinência do nosso projecto artístico &lt;em&gt;Incito&lt;/em&gt;,          projecto que tem a C. M. de Faro e os seus protagonistas como espécimes          preciosíssimos para uma contínua e rigorosa observação          laboratorial. Informação que permita corrigir factos referidos,          dar deles nova interpretação ou acrescentar outros, melhores          ou piores, será bem vinda. Não podemos prometer que a noção          de &lt;em&gt;cooltura&lt;/em&gt; não venha a ser aprofundada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="master2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-2463289124224481047?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/2463289124224481047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/o-saco-azul-da-cooltura-ou-o-moustache.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/2463289124224481047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/2463289124224481047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/o-saco-azul-da-cooltura-ou-o-moustache.html' title='O Saco Azul da Cooltura (ou o moustache eliminado)'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_w3oPJu6I/AAAAAAAAABg/pSCsQYKZ9cg/s72-c/cool.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-5292929471980562328</id><published>2010-03-16T13:33:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T13:55:21.413-07:00</updated><title type='text'>O Factor de Diferenciação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_wH39VYpI/AAAAAAAAABY/s6I-47FKa94/s1600-h/o.burro.de.empreita.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 342px; height: 349px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_wH39VYpI/AAAAAAAAABY/s6I-47FKa94/s400/o.burro.de.empreita.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449338092212544146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para uma região que vive na dependência          quase exclusiva — e, dir-se-ia, já patológica —          da indústria turística, a cultura apenas interessa como          &lt;strong&gt;factor de diferenciação&lt;/strong&gt;; aquilo que distingue          um destino turístico de outro. Esta perspectiva está tão          enraizada nos ‘responsáveis políticos’, que          a noção de &lt;em&gt;destino&lt;/em&gt;, enquanto lugar onde, por exemplo,          se passam uns dias de férias, se confunde com a ideia de &lt;em&gt;destino          &lt;/em&gt;enquanto algo irrevogável e predeterminado por instâncias          superiores; neste caso, fatal futuro dos algarvios e do Algarve.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esta confusão ‘ideológica’,          que durante anos foi medrando e se acomoda nas mentes, sobretudo na dos          obcecados por uma visão economicista de desenvolvimento a curto          prazo (em que as receitas do turismo não são investidas          na diversificação da actividade económica e, muito          menos, na qualificação da população local          — deixando a região extraordinariamente vulnerável          a uma crise no sector), configura uma situação de fechamento          que determina a impossibilidade de se tirar partido do nosso vasto potencial          ainda inexplorado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De facto, a cultura é apreciada, quase exclusivamente,          na sua dimensão popular/folclórica, complemento balnear          e, se não reduzida à condição de espectáculo,          é entendida como coisa estática e/ou de museu. É          uma visão “turística” de cultura, a que contamina          os responsáveis desta área. Mesmo as tendências mais          recentes para um certo “turismo cultural”, apontando para          a recuperação e preservação do património          existente, englobando o monumento e a sua envolvente paisagística,          rural ou urbana e, claro está, a “identidade das gentes”,          vão no sentido de tudo manter &lt;em&gt;ad aeterno&lt;/em&gt; no seu “contexto          original”. É uma visão que, se implementada sem mais,          tenderá a transformar o Algarve num parque temático e, os          algarvios, numa espécie de indígenas de costumes peculiares          (mas brandos, claro), encerrados na sua reserva, de preferência          ‘como sempre foram’, servindo simpaticamente visitantes como          criadagem em hotéis e restaurantes. Na melhor das hipóteses,          vivendo disso, coçando ao sol sua barriga.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Contudo, esta perspectiva garridamente monocromática          da cultura, é atenuada pela intuição da sua insuficiência          como atracção de um turismo cosmopolita, mais culto e endinheirado,          já fatigado do subdesenvolvimento e das tragédias terceiro-mundistas,          ansiando por segurança, conforto e sofisticação.          É aqui, que os responsáveis atentam na existência          de uma outra cultura — a artística. No entanto, tão          atavicamente submersos no seu universo estritamente &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, metem          os pés pela mãos, considerando viável instrumentalizar          a criação artística, direccionando-a para fins de          animação, sem se aperceberem da natureza oposta dos conceitos.          É esta miopia que, não distinguindo arte de entretenimento          ou criação de mera exibição, impede um verdadeiro          desenvolvimento cultural — no seu sentido mais exigente —,          e, consequentemente, desvaloriza o Algarve enquanto sério &lt;em&gt;destino&lt;/em&gt;          turístico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bem podem argumentar com as iniciativas no âmbito          da música clássica, ou com a incongruente estratégia          dos “eventos grande impacto”. Concentrados no Verão          e ineficazes no combate à sazonalidade, são pontuais e de          curto alcance; sendo exclusivamente dedicados a turistas, afastam os algarvios;          importando obras que dizem atrair visitantes, trazem o que estes já          fruíram ou podem fruir nos seus locais de origem. De alguns diz-se          mesmo que são ‘artísticos’ mas, na sua maioria,          são meras produções de entretenimento de massas;          a sua eficácia está na preciosa natureza que ocultam: são          eventos instrumentais ao serviço da promoção de políticos          e satisfação das clientelas respectivas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ainda assim, a moda do “grande impacto”,          lançada pelos estrategas do &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; e aplicada com a          esperteza dos dirigentes locais, não tem dado bons resultados.          Veja-se a utilização de nomes carismáticos (como          Picasso, James Turrell ou Bill Viola), na promoção de exposições          em que, dos autores evocados, apenas se via uma ou outra obra secundária          entre as muitas em exibição, levando os visitantes a sentirem-se          defraudados e com pouca vontade de se arriscarem a nova desilusão.        &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Trata-se de uma estratégia que tende a privilegiar          a artificialidade e o efeito de estrondo ou chamariz e que tem levado          à descaracterização cultural do Algarve. Em nome          do desenvolvimento, não apenas apoia uma indústria que tem          trazido a delapidação do património natural, monumental          e urbano, como, em vez de promover a sua obediência a um planeamento          rigoroso, e de o acompanhar por técnicos incorruptos, a deixa intervir          no destino dos assuntos culturais. Assim como não nos pareceria          ser sinal de exigência ver um artista plástico, um músico          ou actor a ditar o rumo do turismo, também não parece nada          saudável que seja a hotelaria a determinar qual o &lt;em&gt;destino&lt;/em&gt;          da produção cultural/artística. De facto, talvez          ainda não saibam, mas o Algarve já está farto deste          culturismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pela nossa parte, consideramos do mais elementar bom          senso, mesmo no interesse da sustentabilidade da indústria, um          investimento planeado, consistente, de médio/longo prazo, no apoio          às instituições culturais algarvias, sobretudo aos          autores e ao associativismo local, i.e., a quem produz cultura. Haveria          então, por uma fracção do custo actual e ao longo          de todo o ano, algo genuíno e realmente interessante para oferecer          a quem nos visitasse, e também de interesse para a população          local. Desta forma, tanto a ERTAlgarve - Entidade Regional de Turismo          do Algarve, como as câmaras municipais, teriam em abundância          o material necessário à promoção da região,          mesmo para lá das suas fronteiras, e até para tirarem os          justos dividendos duma política inteligente em benefício          de toda a comunidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;       No entanto, embora certos do benefício da nossa perspectiva, temos          consciência das dificuldades inerentes a uma alteração          do medíocre &lt;strong&gt;destino&lt;/strong&gt; a que as actuais visões          e práticas políticas têm votado o Algarve —          basta para isso atentar no fenómeno farense. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com efeito, durante a época natalícia,          enquanto em Loulé se distribuíam cabazes de natal às          famílias mais carenciadas, em Faro, o nosso presidente dava um          &lt;em&gt;show&lt;/em&gt; de auto-promoção. Este esplêndido autarca,          não tendo pão para necessitados, proporcionou aos farenses,          entre várias outras onerosas iniciativas, patinagem sobre gelo          (costume marcadamente algarvio, desde tempos imemoriais!) a 2,5 €          cada meia hora, sendo que, dessa quantia, num magistral golpe promocional,          destinou 50 cêntimos de generosidade à caridade. Animação          e entretenimento; o desenvolvimento da cultura vai patinando sem progredir.          Naturalmente, do mesmo não se pode queixar este executivo camarário:          o claro sucesso da iniciativa — bem patente nas gentes que durante          umas semanas lá escorregou anestesiada dos seus problemas reais          — não pode deixar de impressionar. Somos inexoravelmente          compelidos a apreciar espantados o extraordinário talento do autarca          para a “patinagem artística”, a solo ou em pares, com          o seu vice da cultura. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Da forma audaz como se lança em frente, equilibrado          nas finas lâminas da demagogia e do populismo, deslizando a toda          a brida sobre o perigoso gelo do desperdício dos fundos municipais,          ou da agilidade com que aplica à cultura do concelho todo um rico          repertório de acrobacias, retemos o olhar mesmerizado na votação          eleitoral. Eis aí as nauseantes “piruetas” com que          defrauda a cultura farense — como quando se diz interessado na opinião          dos agentes mais activos, convidando-os para&lt;em&gt; workshops&lt;/em&gt; com o          propósito de compor plateias, para decidir depois, no secretismo          dos gabinetes, o destino a dar aos milhões do QREN. Eis aí,          também, os “saltos” do emérito patinador, elementos          de grande efeito em qualquer exibição; sobretudo, os “mortais          à retaguarda” com que provoca o retrocesso cultural do Concelho          ¬— como quando, faltando aos compromissos assumidos, deixa durante          mais de um ano os agentes culturais à espera das exactas verbas          que desvia para eventos de auto-promoção; ou ainda os tão          famosos “saltos lançados”, como recentemente, com o          anúncio dum “Museu Municipal de Arte Contemporânea”          — curiosamente apenas pronto lá para após as eleições.          Enfim, todo um astucioso “trabalho de pés” com que,          durante um mandato, sem perder o equilíbrio, tentou iludir agentes          culturais e eleitores, com promessas que não tinha, nem nunca teve,          qualquer intenção de vir a cumprir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Contudo, se olharmos com atenção, toda          esta “patinagem” é justificada, de uma forma ou doutra,          com a imperiosa necessidade de tornar a nossa cidade mais divertida e          atractiva, mais “turística” e diferenciada. Os farenses,          esses, umas vezes tratados como turistas em sua própria casa, outras,          como a tal espécie de índios conservados em “reserva          temática”, distraídos com tanto entretenimento —          que pagam com o próprio futuro —, são condenados ao          triste &lt;em&gt;destino&lt;/em&gt; do subdesenvolvimento, não apenas cultural,          mas também económico. É caso para nos interrogarmos          se &lt;strong&gt;o factor de diferenciação&lt;/strong&gt; que verdadeiramente          nos penaliza perante o resto da Europa, não consiste afinal, na          pobreza cultural dos políticos que temos e mantemos (*). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vasco Vidigal&lt;br /&gt;       &amp;amp; &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro Associação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*)&lt;br /&gt;       Este pequeno texto não pretende ser exaustivo na apreciação          dos efeitos nefastos das já tradicionais políticas “turísticas”          sobre o desenvolvimento cultural algarvio. Destina-se, apenas, a suscitar          e a estimular a reflexão sobre o tema àqueles que por ele          se possam interessar. Deixamos aqui patentes, também, as linhas          gerais daquilo que, no nosso entender, deveria ser uma relação          saudável, e mutuamente benéfica, entre o turismo e a actividade          cultural/artística da região. Quanto ao ‘fenómeno’          cultural farense referido, ele sublinha a pertinência do nosso projecto          artístico&lt;em&gt;&lt;strong&gt; Incito&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, projecto que tem a          C. M. de Faro como espécime preciosíssimo para uma contínua          e rigorosa observação laboratorial. Qualquer informação          que, eventualmente, permita corrigir factos referidos, ou dar deles outra          interpretação, será sempre bem vinda.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;       &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-5292929471980562328?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/5292929471980562328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/o-factor-de-diferenciacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/5292929471980562328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/5292929471980562328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/o-factor-de-diferenciacao.html' title='O Factor de Diferenciação'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_wH39VYpI/AAAAAAAAABY/s6I-47FKa94/s72-c/o.burro.de.empreita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-2845625972092042300</id><published>2010-03-16T13:26:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T13:32:06.766-07:00</updated><title type='text'>A Direcção da Cultura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_qEPCv9kI/AAAAAAAAABQ/OBrAql6DgYY/s1600-h/porta.drc.algarve_site.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 280px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_qEPCv9kI/AAAAAAAAABQ/OBrAql6DgYY/s400/porta.drc.algarve_site.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449331432620029506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em geral, ao associar-se o termo &lt;em&gt;direcção&lt;/em&gt;          à noção de cultura, o sentido que dele mais interessa          aos agentes culturais é o de &lt;em&gt;rumo&lt;/em&gt;; o rumo das políticas          que condicionam a nossa actividade quotidiana de promoção          da produção plástica contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A Direcção-Regional de Cultura do Algarve é a única          entidade pública de âmbito regional com responsabilidades          no fomento cultural; um serviço desconcentrado do Ministério          da Cultura. Sendo o ministério responsável pela implementação          das políticas nacionais, de acordo com os preceitos do executivo          (através da sua operacional Direcção-Geral das Artes),          ao sentido de &lt;em&gt;critério&lt;/em&gt; deveríamos poder associar          o de &lt;em&gt;liderança&lt;/em&gt;, por dever de lei, isenta e democrática,          na dinamização e desenvolvimento da cultura nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      No entanto, para nossa surpresa, quer contactando directamente a DRCAlgarve,          quer observando a sua prática e consultando a informação          disponível, percebemos atónitos que nada há neste          serviço para apoiar e promover as artes plásticas —          como de resto pouco há destinado à actividade artística          em geral. Fica assim claro que o único sentido que se poderá          encontrar na &lt;em&gt;direcção&lt;/em&gt; da cultura algarvia é          o relativo a &lt;em&gt;endereço&lt;/em&gt;. Na rua Francisco Horta, 9, sito          em Faro, mora a sede do &lt;em&gt;alinhamento prático&lt;/em&gt; com a falta          de interesse e de investimento na actividade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Não restam dúvidas de que o Algarve não conta com          uma estrutura que siga atentamente as diversas acções da          cultural local — não há nenhuma instituição          ágil, aberta às dificuldades dos agentes reais, dotada com          os necessários meios, com pessoal qualificado e a autonomia suficiente          que permita defender o tecido cultural activo contra o visível          desinteresse de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      De facto, este serviço, exilado da capital, descentrado realmente          dos seus deveres para com a região, é uma espécie          de repartição pública à moda antiga: pesada          e cataléptica, censora do que ameaça a mediocridade instalada,          mas abstraída da actividade cultural. É, de facto, uma espécie          de loja representante das entidades colonizadoras de outros tempos, noutros          lugares; uma feitoria inútil. Burocrata e conivente com Lisboa,          pelo menos implicitamente, contra o interesse algarvio, vive escondido          lá no seu beco, encarando o diálogo com os agentes locais,          por breve que seja, como enorme maçada — provavelmente por          implicar algum trabalho e o seu posterior exame público. Para cúmulo,          gasta consigo próprio muito mais do que concede ao tecido cultural          que era suposto servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Entre a fidelidade à tutela e a incapacidade de assumir um papel          relevante em prol da região, esta instituição —          lutando desesperadamente pela auto-preservação, fazendo          o mínimo para que não se diga que nada faz —, coadjuvada          pela proverbial inércia da incompetência municipal, tem no          entanto a atribuição de fiscalizar e avaliar (!), a actividade          subsidiada pelos parcos apoios estatais. Um dispositivo perfeito, pois,          para o estrangulamento de toda a iniciativa cultural, crítica e          livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Mas o mesmo espírito assombra essa outra dimensão, a DGArtes.          Também aí, proliferam os constrangimentos a qualquer desempenho          eficaz no apoio ao desenvolvimento da produção artística          no todo nacional. Dotada de meios financeiros insuficientes, desamparada          pela visão cor-de-rosa dos serviços regionais — portanto,          ignorante da realidade algarvia (como de muitas outras) —, serve          e serve-se de um dispositivo legal que, enquanto jura respeitar a liberdade          artística e aparenta considerar o que está fora dos grandes          centros urbanos, abre vasto campo à acção discriminatória          e ao favorecimento dos já instalados. É um mecanismo que          garante a pura e simples reprodução do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Como exemplos da operacionalidade deste organismo em prejuízo do          Algarve, podemos referir que chegou a considerar Faro, pela sua aritmética          regulamentar, como equiparável a Lisboa em desenvolvimento cultural.          Ou a invenção “genial” de um sistema de quotas,          que visa a “correcção das assimetrias”, mas          que às artes plásticas algarvias atribui apenas duas possibilidades          de apoio e, ainda assim, paradoxalmente, estas surgem não como          mínimo obrigatório (desde que existam projectos) mas como          o máximo a não ultrapassar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Outro caso recente protagonizado por este organismo, paradigmático          da falta de consideração pelos agentes culturais independentes,          foi o rocambolesco que rodeou a 11ª edição do Festival          Internacional de Dança Contemporânea —&lt;strong&gt;&lt;em&gt;          A Sul&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Desde há 14 anos, apresentado, pela associação          DeVIR, este festival foi inviabilizado por mero ‘esquecimento’          na cabimentação da prevista verba. Isto apesar de a DGArtes          ter já financiado a sua pré-produção —          o que, pela ligeireza com que se delapidam os recursos públicos,          e os dos que verdadeiramente fazem a cultura deste país, deixa          a claro outra flagrante falta de respeito pelos agentes algarvios activos.          A DeVIR chegou mesmo a acusar publicamente a DGArtes de negligência,          após o que, finalmente, o serviço deu sinal de vida comunicando,          com o à-vontade de quem tem a faca e o queijo, que todo o apoio          “fica na discricionariedade técnica da Administração”          — justificação lapidar do autoritarismo estatal no          condicionamento da actividade cultural. &lt;/span&gt;                                                                        &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A impunidade desta atitude para com o Algarve, aqui em          Faro, só poderia ser relativamente amenizada por alguma acção          da autarquia. No mínimo, dela esperava-se a sensibilização          das autoridades governamentais na defesa dos seus agentes culturais concretos          — pelo menos estaria em coerência com a sua tão propagandeada          ambição de se afirmar como capital cultural do Algarve.          Contudo, por essa altura, o Sr. Presidente da C.M. de Faro, não          tendo ainda completado o desmame do recente &lt;em&gt;glamour&lt;/em&gt; allgarvio,          afadigava-se em promover a sua imagem por entre o sensual elenco do negócio          cinematográfico que dá pelo nome de &lt;strong&gt;Second Life&lt;/strong&gt;          — empreendimento comercial (!), ao qual pagou as estadias, as deslocações,          a alimentação e o tempo dos farenses a quem, segundo o produtor,          foi dada a oportunidade de serem figurantes… como se alguma vez          tivessem sido outra coisa durante a longa tragicomédia desta gestão          autárquica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Este assombroso caso seria risível não          fora a verba atribuída, que nunca há para financiar algumas          das associações culturais sem fins lucrativos do Concelho,          a um negócio que visa a mera e natural obtenção de          lucro por privados (de que a pobre SIC tem parte com a Utopia Filmes)          — legitimando doravante, e para mais, que qualquer empresário          reclame iguais direitos no acesso a fundos municipais para financiamento          dos seus próprios negócios. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Outro aspecto peculiar do fenómeno, que já          começa a ter algo de &lt;em&gt;twilight zone&lt;/em&gt;, é o facto de          a cidade apoiar, já há uns anos, a &lt;em&gt;Algarve Film Comission&lt;/em&gt;          — que intermediou a ‘coisa’ — com a justificação          de que esta desenvolve a função de atracção          de produções cinematográficas e que, portanto, sendo          bem sucedida, daí adviria benefício económico para          Faro… Mas qual quê! À primeira oportunidade, quando          parecia que o apoio da cidade ia ter finalmente algum retorno, eis que          o seu edil, com a disponibilidade de quem esbanja o dinheiro alheio, avança          e cobre a despesa — colocando em evidência a falta do melhor          critério na atribuição dos apoios à actividade          ‘cultural’ (agora já num sentido muito genérico).          E, no entanto, apesar de o executivo apresentar “a promoção          de Faro” como razão de peso para esta tropelia — como          se fosse plausível que as vetustas paredes do burgo sobrevivessem          na memória do espectador e não o esplendoroso espectáculo          de solarengos corpos —, tendo em vista o produto final, o que realmente          se realça é a promoção de pernas, nádegas          e magníficos seios desnudos, tudo o que, enfim, resume o interesse          da película. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pelo que se pode ir vendo, a cultura regional —          ao sabor dos interesses representados pelas estruturas políticas,          governamentais e/ou autárquicas — segue a boa velocidade          na direcção do &lt;em&gt;hard-core.&lt;/em&gt; Não é que          o nu, como o retrato ou a paisagem, não seja uma nobre e ilustre          fonte de inspiração artística; a questão é          que a exploração do erário público para fins          comerciais sem que, de facto, nada com isso ganhe a cultura — excepto          em redundância e mais do mesmo —, parece estar mais próxima          de natureza morta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas nada temam os pessimistas; este panorama, deplorável          tanto para a cultura farense como para a mais básica inteligência          do cidadão contribuinte, ainda está a tempo de piorar. Basta          para isso que, este presidente, incorrigivelmente incapaz de pôr          os superiores interesses do Concelho à frente dos político-pessoais,          veja a oportunidade de, como no filme, ter uma &lt;em&gt;second life&lt;/em&gt; que          lhe permita perpetuar a mala arte. (*)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vasco Vidigal&lt;br /&gt;      &amp;amp; &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro, Associação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p  class="master2" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;         (*)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;         Este pequeno texto, não pretende ser exaustivo na apreciação          das políticas culturais nacionais ou locais, destinando-se apenas,          a suscitar a reflexão sobre o tema àqueles que por isso          se interessem. No que respeita ao Ministério da Cultura, e aos          organismos dele dependentes, é justo referir que, apesar de o ministro          estar há pouco no cargo, já se tomaram algumas iniciativas          válidas. Será necessário algum tempo para se perceber,          e saber qual, a eventual alteração na “direcção”          da cultura artística no nosso país. Ficam aqui também          patentes, as linhas gerais daquilo que, no nosso entender, deveria ser          uma estrutura de âmbito regional dedicada ao desenvolvimento e ao          acompanhamento real do tecido cultural algarvio existente — nomeadamente,          à actividade artística dinamizada pelo associativismo da          região. Quanto ao ‘fenómeno’ cultural farense          referido no texto, ele aponta para a pertinência do nosso projecto          artístico Incito que tem a C. M. de Faro como “espécime”          preciosíssimo para uma futura rigorosa observação          laboratorial. Qualquer informação que, eventualmente, permita          corrigir os factos referidos é sempre bem vinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-2845625972092042300?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/2845625972092042300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/direccao-da-cultura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/2845625972092042300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/2845625972092042300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/direccao-da-cultura.html' title='A Direcção da Cultura'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_qEPCv9kI/AAAAAAAAABQ/OBrAql6DgYY/s72-c/porta.drc.algarve_site.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-2171609694691089472</id><published>2010-03-16T13:03:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T13:30:30.169-07:00</updated><title type='text'>POORTUGAL</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_oj6vid5I/AAAAAAAAABI/u3AreMFcVk4/s1600-h/poortugal_01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 347px; height: 360px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_oj6vid5I/AAAAAAAAABI/u3AreMFcVk4/s400/poortugal_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449329777903302546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:Arial,Verdana,Tahoma;font-size:180%;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;experiências          não faltam&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para quem trabalha na área cultural, o que ressalta          do fenómeno Allgarvio, é a inequívoca certeza de          haver dois países: um, que abrange a região de Lisboa e          Porto, onde se concentram as instituições de referência          — museus, fundações, galerias, escolas de arte, apoios          estatais e, claro está, os artistas; outro,&lt;strong&gt; POORTUGAL&lt;/strong&gt;,          o restante país (de onde se emigra para a capital ou ao estrangeiro)          e onde o interesse pela acção cultural/artística          é negligenciada e/ou desencorajada, todo ele palco apenas da produção          autorizada, se ou quando por benesse surge — e que, supostamente,          se deve aplaudir com entusiasmo e, agradecendo de forma humilde, pedir          por mais com ansiedade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No Algarve agora, a cada ano, durante a época          balnear, as associações culturais, para as quais o estado          e as Câmaras Municipais se mostram, por tradição,          pobres e indisponíveis, assistem da berma da rua à sumptuosidade          posta à disposição da iniciativa do Ministério          da Economia e Inovação, vincando a diferença entre          um Allgarve de Verão, abastado, e esse outro, mais a bastardo,          de Outono/Inverno, o &lt;strong&gt;POORTUGAL&lt;/strong&gt; do costume. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com efeito, ao reflectirmos sobre o Allgarve, salta ao          olhar um denominador comum — a pobreza. É a económica          pobreza do país que motiva a iniciativa; é a da falta de          consideração pelo Algarve que lhe dá o nome; é          a pobreza de espírito, que se propõe trazer a esta região          um&lt;em&gt; life-style&lt;/em&gt; de duvidosa qualidade; é a mirrada escassez          de espírito democrático, que descrimina o associativismo          local e promove a ‘sovietização’ cultural na          região; e é, finalmente, uma miséria, o que resulta          da falta de rigor com o que se gasta em projectos de alcance tão          curto como as vistas e, além disso, sem qualquer fruto futuro.          Mas é, também, a indigência do espectáculo          das vaidades pessoais, mais ou menos carreiristas, dos bacocos protagonismos          em gravata, das inclusões e exclusões, das apropriações          e das inviabilizações.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De facto, a miséria da abordagem Allgarvia é          tão notória, que aquilo que tem de melhor é o modo          como realça o astigmatismo oficial sobre as questões culturais.          Para quem por isso se interessa verdadeiramente não deixa de ser          um momento apoteótico do apocalipse poortuguês; aí,          no Allgarve, através da desconsideração implícita,          se desvela a efectiva pobreza do tecido cultural local — escondida          pela demagogia política, estatal e autárquica —, ao          ignorar as instituições existentes ou relegá-las          a um papel de, quanto muito, meros amparos laterais (naquele que é          o maior atestado de incapacidade, de que há memória, lavrado          aos agentes culturais do Algarve); aí, também, se manifesta          a miséria do ‘conceito oficial’ que o gerou, ao referir-se          a cultura como factor de crescimento, como convém à cartilha          economicista, porém, misturando eventos artísticos num programa          de entretenimento/promoção turística — e a          turistas exclusivamente destinado! —, visando o interesse dos melhor          localizados, em vez de a todos acrescentar em humanidade; aí se          revela, para mais, outro mau exemplo dado à política local          — com a chancela da autoridade governamental e o selo da nobre casa          de Serralves —, ao conferir força de referência à          recente intuição institucionalizada de que cultura é          coisa &lt;em&gt;clean&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;bouffet&lt;/em&gt;, preferencialmente de curto          prazo, &lt;em&gt;pop mix&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A costumeira agitação estival, ora enriquecida pelo &lt;em&gt;glamouroso&lt;/em&gt;          Allgarve — com suas &lt;em&gt;vernissages&lt;/em&gt; e os inevitáveis          magustos de &lt;em&gt;haute cuisine&lt;/em&gt;, agora&lt;em&gt; avant-gardemente&lt;/em&gt; miscigenada          com a gastronomia tradicional, mais as vínicas degustações,          o &lt;em&gt;sport&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;stars&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;sasha sessions&lt;/em&gt;, o dinâmico          &lt;em&gt;kitsch-chique&lt;/em&gt; de governantes e políticos agitados dentro          de leves fatos, atraídos pelo ‘espírito cosmopolita’          —, quase nos distraía de uma ausência altissonante,          a do Ministério da Cultura. Os indulgentes pensarão talvez          ser um modo, modesto e discreto, de reconhecer que nunca se tratou, afinal          e de facto, de cultura… ou que, simplesmente, é mais &lt;em&gt;poor&lt;/em&gt;          do que se quer fazer passar. &lt;/span&gt; pronto a servir, em ‘clima festivo’          ou ‘convidativo’; aí se confirma, enfim, a existência          de uma paupérrima cultura de regime, em que estado e autarquias          (detentores únicos dos meios públicos, financeiros e logísticos)          têm também a exclusividade de decisão, segundo critérios          nada claros e/ou em permanente mutação, sobre quem/o quê          deve ser apoiado, impossibilitando, regra geral, quaisquer actividades          livres do estigma da subserviência.         &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Embora compreendendo o melindre da situação          (pois não é simpático cortar a onda ao empreendedor          Manuel de Pinho), o caso é que, quando se constata que Allgarve          tem meios financeiros, públicos, muito superiores aos anualmente          dedicados à cultura do Algarve — superiores aos destinados          a “Faro, Capital Nacional da Cultura 2005”, negativamente          apreciada pela Lisboa que a sabotou — e que, já em 2008,          a arte contemporânea — um dos componentes do programa Allgarvio          —, não merece um único tostão (!) de apoio,          para toda (all) a região, o que se sente é a falta de real          interesse do Ministério da Cultura por todos (all) os que &lt;span class="sublinhado"&gt;quotidianamente&lt;/span&gt;          operam no terreno. A própria Universidade do Algarve, que forma          agora os primeiros alunos em Artes Visuais, encontra-se na iminência          de, por falta de condições para potenciar os talentos aí          formados, ver todos (all) os seus licenciados compelidos à secular          migração, contribuindo assim, involuntariamente e em evidente          contra-natura, para a perpetuação do empobrecimento cultural          e económico. Será que à gente da região não          é outorgada vocação para a criação          artística e cultural?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas também não se pode ignorar a postura          da C. M. de Faro. Em indigência financeira crónica, este          município mostrou, pela segunda vez (enquanto negligencia o dever          de apoiar os seus agentes culturais), uma sua outra pobre faceta —          a do mendicante provincianismo perante a iniciativa do Ministério          das Inovações. De facto, a falta de sensibilidade cultural          mais a ânsia de a mascarar, a urgência de mostrar trabalho,          não havendo vontade de o fazer de forma séria e informada,          e a aparente ocasião de protagonismo, fácil e grátis          — mais à boleia do prestígio que a Fundação          do Porto traz —, levaram o actual executivo camarário a aderir          sem piscar olho. Em boa hora, dir-se-ia… E, de facto, negociou,          disponibilizou espaços e meios que não cede aos agentes          culturais do concelho; comprometeu pessoal autárquico e fundos          que diz não poder atribuir às instituições          locais; enviou convites para a inauguração e, porém,          de súbdito indignada, demarcou-se do evento, numa demonstração          cabal da penúria política da actual gestão, afinal,          paradigmática representante do &lt;strong&gt;Poortugal&lt;/strong&gt; em que          vivemos e da ‘cultura’ que nos servem.&lt;span class="master2"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="master1"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vasco Vidigal&lt;br /&gt;     &amp;amp; &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro, Associação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="master1" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="master1" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;     Este pequeno manifesto pontual não quer ser exaustivo na apreciação          do Allgarve, uma vez que, destinando-se a lançar o debate sobre          a matriz do evento — cuja terceira edição já          foi prometida —, deverá ser complementado pela contribuição          dos que se interessam pela vida da cultura, local, nacional e internacional.          Também não pretende apreciar a allgarviada do ponto de vista          da sua eficácia, enquanto motivo de atração turística          ou de melhoria económica da região — área em          que sérias dúvidas subsistem, pese embora as triunfantes          declarações de Pinho. Mas também não pode          ser interpretado como um mero exercício de mal-dizer, vazio de          vias alternativas, até porque, pelo que fica dito, fácil          é de perceber que basta algum senso crítico para evitar          e inverter as actuais práticas, e encontrar uma justa fórmula          que torne esta, ou qualquer outra iniciativa, verdadeiramente proveitosa          para todo o Algarve, para o país e até para quem a promove          — fazendo jus ao sentido que levou a acrescentar o simbólico          “&lt;strong&gt;l&lt;/strong&gt;” e concorrendo para apagar o extra “&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt;”          do nosso, infelizmente mais extenso e bem mais realista,&lt;strong&gt; Poortugal&lt;/strong&gt;.          De facto, de &lt;em&gt;experiências que marcam&lt;/em&gt; está já          ele cheio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="arial" class="master1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-2171609694691089472?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/2171609694691089472/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/poortugal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/2171609694691089472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/2171609694691089472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/poortugal.html' title='POORTUGAL'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S5_oj6vid5I/AAAAAAAAABI/u3AreMFcVk4/s72-c/poortugal_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1536185032455263037.post-956762970677488355</id><published>2010-03-15T10:58:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T14:21:23.106-07:00</updated><title type='text'>PROTESTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S56dazc-V1I/AAAAAAAAAA4/eWZ4uButRaA/s1600-h/protesto_01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 346px; height: 360px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S56dazc-V1I/AAAAAAAAAA4/eWZ4uButRaA/s400/protesto_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448965682978772818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;table style="width: 694px; height: 652px;" bgcolor="#ffffff" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;   &lt;tr&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;      &lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top; text-align: center; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;p class="destaqprotest"&gt;contra a ignorância, a incompetência          e as medíocres políticas 'populares' de quem de cultura          apenas sabe apoiar a redundância do sistema ! &lt;/p&gt;       &lt;p class="destaqprotest"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="destaque1"&gt;&lt;span class="destaqprotest"&gt;[ PROTEST ] - Against the          ignorance, the incompetence and the mediocre popular politics, from those          who know nothing about culture but to support the redundancy of the system          !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td colspan="1" class="destaque1" align="left" valign="middle" height="44"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;      &lt;td style="vertical-align: top; text-align: center; font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 51); font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top; text-align: center; font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 51); font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="cabecalho1"&gt;&lt;span class="cabecalho1"  style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;De:          24 de Maio às 18h, até 6 de Setembro de 2008. (Horário          livre)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;      &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro, tendo constatado que a          estratégia até aqui adoptada na prossecução          dos seus objectivos fundadores — divulgação e promoção          da produção plástica contemporânea, criação          de públicos para esta área, dinamização cultural          de Faro e do Algarve —, não proporciona resultados compatíveis          com o esforço desenvolvido, opta agora por um novo rumo.&lt;/span&gt;        &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com efeito, por falta de apoios, a &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro vê-se          forçada, pela primeira vez em cinco anos de intensa actividade,          a cancelar duas das exposições previstas na sua programação          para 2008: tanto a mostra dedicada a &lt;strong&gt;Javier Núñez          Gasco&lt;/strong&gt; (prevista para 24 de Maio a 12 de Julho), como a mostra          da obra gráfica de &lt;strong&gt;António Costa Pinheiro&lt;/strong&gt;          (entre 19 de Julho e 6 de Setembro), não se irão realizar,          ficando adiadas. Pelo mesmo motivo, somos forçados a cancelar diversas          outras iniciativas previstas para o corrente ano, nomeadamente a publicação          de uma revista dedicada às Artes Plásticas no Algarve.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Assim, a &lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro, decidiu alterar a postura “neutra”,          que consistia em proporcionar ao público a fruição          de obras conceptualmente diversas, passando a propor obras conceptualmente          orientadas de acordo com uma lógica de apreciação          mais evidentemente critica dos problemas culturais actuais. Esta nova          opção — que poderá ser interrompida aquando          da possível realização das duas últimas exposições          previstas para este ano —, irá estar patente já a          partir de 24 de Maio com a apresentação de&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;“&lt;strong&gt;PROTESTO&lt;/strong&gt;”,          uma tela colocada no exterior do nosso espaço de exposições,          explicando ao público (em português e inglês) as razões          porque se encontra encerrado, numa proposta artística da autoria          de&lt;strong&gt; Vasco Vidigal &lt;/strong&gt;e&lt;strong&gt; Ana André&lt;/strong&gt;,          dois dos principais dinamizadores do projecto Artadentro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Art&lt;/strong&gt;adentro,&lt;br /&gt;      Vasco Vidigal&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="vertical-align: top; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="font-family: verdana;" colspan="1" class="master1" valign="top" height="334"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1536185032455263037-956762970677488355?l=artadentro-incito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/feeds/956762970677488355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/protesto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/956762970677488355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1536185032455263037/posts/default/956762970677488355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artadentro-incito.blogspot.com/2010/03/protesto.html' title='PROTESTO'/><author><name>Artadentro - Arte Contemporânea - Associação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11558102502436364093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S55yo02TdnI/AAAAAAAAAAU/ZLKeypXRlsA/S220/artadentro_logo.pq.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0lv_fNaaaE0/S56dazc-V1I/AAAAAAAAAA4/eWZ4uButRaA/s72-c/protesto_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
